César Deve Morrer

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(Cesare deve morire – Paolo e Vittorio Taviani,2012)

Começo esse texto com um apelo. Minha inimiga Marcelle, que eu me recuso a citar o nome, está ameaçando seriamente minha vida caso eu não escreva sobre filmes obscuríssimos que somente estreiam em um cinema do RJ longe pra demônio e que ao fim da sessão tem debate sobre relacionamento político com participação de Barbara Heliodora. Apenas avisando que se algo acontecer à minha vida foi essa inimiga anônima.

César Deve Morrer foi o vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim de 2012, e tinha a difícil tarefa de substituir a obra-prima unânime A Separação (pois quem não curte esse filme não pode ser humano, beijo Mau).

ninguém me bate

Potencial tinha, mas boa parte da magia do filme foi tirada por coisas que membros grotescos do Blog disseram. E o pior: eles tinham razão.

Trata-se de uma companhia de teatro formada num presídio de Segurança Máxima da Itália. Presos considerados perigosos que procuram redenção na arte da interpretação. O texto é “Julio Cesar”, de Sheakespeare, a mais macho das obras do autor, poeta e filósofo de Facebook. Os presidiários se realizam de formas distintas: alguns mostram os seus talentos inúteis e expressam  pensamentos pessoais através dos personagens e diálogos da peça, chegando ao ponto do roteiro dialogar ficção com realidade.

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O que torma o filme (ou documentário) ainda mais interessante é a tensão de saber que é algo todo gravado dentro de um presídio com presidiários de verdade (alguns que irão passar o resto da vida ali) e qualquer passo em falso poderia se tornar uma grande festa. A direção dos Taviani, o trabalho de fotografia e edição casam perfeitamente e os atores amadores surpreendem, inclusive, Salvatore Striano teve a pena perdoada pelos trabalhos no presídio e se tornou ator profissional, chegando a atuar em Gomorra.

era melhor ter ficado aqui

era melhor ter ficado aqui

E agora chegou a infeliz hora da participação de Felipe Rocha e Tiago Lipka neste meu texto, coisa que eles nem sabem, porém, sim, tiveram uma importante participação nele. Numa das conversas produtivérrimas do Shitchat esses dois aí disseram coisas importantes que me fizeram enxergar onde o filme erra:

Texto clássico em filme contemporâneo é quase impossível dar certo (LIPKA, Tiago)

Sim, ele está certo. Complicadíssimo, nem Baz Lurhman com a freneticidade necessária em Romeu + Julieta com a maior das divas da história da humanidade (sim, Claire) funciona. É simplesmente complicado tragar um filme inteiro com texto clássico sem rolar os olhos e não dizer “acaba pelo amor da miséria”. Foi o que fiz ao assistir a este filme.

O que faz um filme ser chato não é a duração, porque se ele tiver que ser chato ele vai ser durando 20 minutos (ROCHA, Felipe)

Ele também está certo. Existem filmes de três horas que conseguem passar rápido por competência da direção, ou pela envolvência do roteiro ou a qualidade do filme em si. Em César Deve Morrer, o primeiro erro citado é o que leva um filme de 1h13m ser tão cansativo.

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E por fim temos a Dica do Blogue do dia: “se você irá refilmar um texto clássico de algum autor pedantíssimo do século XVII, dá uma repaginada, dá um tapa no visu. Porque senão seu filme não vai ficar cool, ele vai ficar chato. Beijo do Blogue”. Fecha aspas.

NOTA LEANDRO FERREIRA : 7.5

Felipe Rocha: 8,0

MÉDIA CLAIRE DANES: Claire está me dando sérias broncas por eu ter falado que nem um filme com ela se salvou do perigo dos textos clássicos.

claire

4 comentários sobre “César Deve Morrer

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